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Cossourado · Uma Biografia

História

Entre as muralhas castrejas e as setas amarelas do Caminho, dois mil anos de história permanecem à vista

Onde Tudo Começa

Cossourado fica num pequeno cabeço entre vales, no concelho de Paredes de Coura, no Alto Minho. Na colina acima, há mais de dois mil anos, ergueu-se um povoado fortificado — a Cividade — com cerca de dez hectares e três linhas de muralha. Antes de Portugal, antes do reino, antes do nome, já havia aqui gente.

Por volta do século I, os romanos atravessaram o Coura por uma ponte na sua grande estrada militar — a Via XIX, que ligava Braga (Bracara Augusta) a Astorga (Asturica Augusta). A paróquia foi registada pela primeira vez em 1258. E foi também aqui, mil anos depois, no início dos anos 90, que alguém pegou num pincel e pintou a primeira seta amarela do Caminho Português.

Linha do Tempo

800 a.C. – Presente

800 a.C.

Idade do Ferro (c. 800 a.C.)

Ocupação do castro da Cividade, na colina acima do vale.

100 d.C.

Período Romano (c. 100 d.C.)

Travessia do Rio Coura pela Via XIX romana; assentamento da ponte.

1100

Período Medieval (c. 1100)

Reconstrução da ponte; paróquia documentada em 1258 nas Inquirições de D. Afonso III.

1200

Era da Peregrinação (c. 1200)

Integração no Caminho Português; passagem regular de peregrinos a Santiago de Compostela.

Presente

Era Moderna (Presente)

Anos 90: primeira seta amarela do Caminho Português pintada em Cossourado. 2021: Castro da Cividade classificado Monumento Nacional.

A Longa História

Antes de Portugal

Antes de Portugal existir como reino — antes de Portugal sequer ter um nome — já havia gente neste cabeço. Cossourado fica num pequeno alto entre vales, na bacia do Rio Coura, em terras que hoje pertencem ao concelho de Paredes de Coura. As razões para a escolha são as do costume na Idade do Ferro: a colina dava-se a defender, os solos prestavam-se à agricultura, o rio garantia água e passagem. Por isso, há mais de dois mil e quinhentos anos, aqui se fixou um povoado. E por isso, também, ele perdurou: a geografia que serviu os primeiros habitantes continuou a servir todos os que vieram depois.

A Cividade e a Cultura Castreja

Quem sobe à colina acima da aldeia encontra os restos da Cividade — um castro da Idade do Ferro com cerca de dez hectares, defendido por três linhas de muralha em pedra seca. Por dentro, casas circulares; por fora, vista alargada sobre o vale do Coura. Foi habitado entre os séculos V e II a.C. e fazia parte de uma rede de povoados fortificados que cobria todo o noroeste ibérico — a chamada cultura castreja. Vivia-se aqui de agricultura, pastoreio e algum comércio local. As muralhas ainda lá estão. Desde 2021, o sítio é Monumento Nacional.

A Chegada de Roma e a Via XIX

Por volta do século I d.C., o vale do Coura passou a fazer parte do Império Romano, integrado na província da Gallaecia. Os romanos traçaram pela região uma das suas grandes estradas militares e comerciais — a Via XIX, que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga). Para a fazer atravessar o Coura, ergueram a ponte que ainda hoje se vê em Cossourado: olhe com atenção e verá que as pedras junto à margem esquerda são romanas. As arcadas acima são obra posterior, da Idade Média, sobre as mesmas fundações. A romanização não apagou a cultura castreja anterior; sobrepôs-se a ela. E a linha de passagem ficou — é nela que, séculos depois, andariam os peregrinos.

A Paróquia de Santa Maria

Caída Roma, Cossourado tornou-se aquilo que viria a ser durante séculos: uma comunidade rural a viver da terra. A paróquia aparece registada pela primeira vez em 1258, nas Inquirições de D. Afonso III — o grande inquérito que o rei mandou fazer para saber, casa a casa, o que pertencia ao reino. A igreja matriz, dedicada a Santa Maria, foi erguida em granito minhoto e mantém-se ativa, hoje integrada na Diocese de Viana do Castelo. Em volta dela organizou-se o quotidiano da aldeia: casas de pedra, terras partilhadas, caminhos para os lugares vizinhos. A planta da aldeia que se vê hoje começou a desenhar-se aqui.

O Caminho Português e a Capela de S. Bento

A partir do século XII, e durante toda a Idade Média, a passagem pelo vale do Coura ganhou outro significado. Esta era agora uma rota de peregrinação: o Caminho Português a Santiago de Compostela, cerca de cem quilómetros mais a norte. Os peregrinos atravessavam a ponte romana de Cossourado tal como atravessam ainda hoje. A passagem regular trouxe estalagens, comércio com a Galiza e devoções novas. Uma delas deu origem, no século XVIII, à Capela de S. Bento da Porta Aberta — barroca, erguida num bosque de carvalhos junto ao trilho. A romaria continua a fazer-se em julho.

A Primeira Seta Amarela e o Reconhecimento

Cossourado é hoje uma freguesia pequena: pouco mais de trezentos habitantes, num território de cerca de cinco quilómetros e meio quadrados. Em 2013, foi agregada na União de Freguesias de Cossourado e Linhares por reforma administrativa. Mas é a história mais recente que dá à aldeia um lugar particular no Caminho. No início dos anos 90, alguém pegou aqui num pincel e pintou a primeira seta amarela do Caminho Português — o marco está hoje assinalado junto à ponte, e todas as setas amarelas que sinalizam o Caminho são, de certa forma, descendentes dela. Em 2021, o Castro da Cividade foi finalmente classificado Monumento Nacional. O caminho continua andado todos os dias.

Monumentos

Ponte Romana

Ponte Romana

Olhe com atenção e a história da ponte está nas próprias pedras. As fiadas inferiores, junto à margem esquerda do Coura, foram cortadas por engenheiros romanos — Cossourado ficava na Via XIX, a estrada que ligava Bracara Augusta a Asturica Augusta. As arcadas em cima são medievais, refeitas nos séculos XII e XIII. Mil anos separam as duas metades da mesma ponte — e os peregrinos continuam a atravessá-la a caminho de Santiago.

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Castro da Cividade

Castro da Cividade

Quem sobe à colina acima da aldeia encontra a Cividade — um povoado fortificado da Idade do Ferro, com cerca de dez hectares e três linhas de muralha em pedra seca. Foi habitado entre os séculos V e II a.C., em casas circulares de planta redonda, com vista sobre o vale do Coura. As escavações revelaram cerâmica castreja e estruturas em pedra. As muralhas ainda estão em pé. Desde 2021 é Monumento Nacional.

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Igreja Paroquial de Cossourado

Igreja Paroquial de Cossourado

A igreja matriz de Cossourado é em granito minhoto e dedicada a Santa Maria. Sabemos que a paróquia já cá estava em 1258 — aparece nas Inquirições, o grande inquérito que D. Afonso III mandou fazer ao reino. Continua ativa, integrada na Diocese de Viana do Castelo, e é um dos pontos onde o peregrino pode carimbar a credencial.

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Capela de São Bento da Porta Aberta

Capela de São Bento da Porta Aberta

No cruzamento da EN201 com a N303, num bosque de carvalhos, ergue-se a Capela de São Bento da Porta Aberta. Conta a tradição que uma manhã encontraram a porta da pequena ermida original aberta, e a imagem do santo em cima de um dos carvalhos — daí o nome. A capela atual é barroca, do século XVIII. A romaria, que ainda hoje junta gente, faz-se em julho.

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Em Números

Mais de dois mil anos de ocupação contínua, quatro monumentos ainda em pé — ponte romana, Cividade, igreja matriz e capela de S. Bento — e um caminho que se continua a andar.

Bom Caminho!

Caminho Português

41°53′18″N · 8°33′45″W · Cossourado, PT

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Desenvolvido por

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